sexta-feira, 14 de março de 2014

SEJA BEM VINDO



Dali demorou a morrer, agonizou por horas como cabia a um bom cristão. Sentiu todos os tipos de dores em todos os lugares possíveis, sem contar os terrores mentais (afinal quem conhece o inferno que se passa na mente de quem está morrendo?). O fato é que ele se separou do corpo com alegria e o prazer de deixar aquela massa dolorosa para trás foi o mais perto que ele chegou do êxtase.
Quando deu por si estava diante de um grande portão que guardava o acesso a um lugar enorme cercado de altos muros. Ao lado do portão um senhor de terno e gravata remexia papéis e carimbos em uma mesa de escritório. Ao se aproximar foi saudado pelo senhor:
- Olá, seja bem vindo ao Pós-morte. É só assinar esses papéis e entrar.
O senhor entregou a ele inúmeras folhas onde só constava uma linha de assinatura sem o nome de ninguém. Assim, ele questionou:
- Mas, nobre guardião, o meu nome não está escrito nesses papéis.
O senhor riu gostosamente, mas logo retomou a expressão de funcionário público e disse:
- Aqui ninguém precisa de nome. Você escreve o nome agora e depois nós cadastramos você.
- Mas...eu não estou pré-cadastrado? - perguntou ele decepcionado.
- Não. Desse lado é você quem se cadastra.
Assinou tudo e ficou admirado ao ver os portões se abrindo e o Paraíso se revelando diante de seus olhos. Porém, antes de o portão se fechar chegou outro falecido para o cadastro. Dali conhecia muito bem aquele que havia chegado, era o Assassino das Esquinas que estampou noticiários com seus crimes horríveis. O senhor do cadastro entregou papéis semelhantes ao Assassino e, após as assinaturas, lhe indicou a entrada para o Paraíso.
Dali ficou indignado e foi tirar satisfações. Voltou para perto do senhor enraivecido.
- Ei, o senhor não pode deixar ele entrar aqui. Esse cara é o Assassino da Esquina, ele matou mais de vinte mulheres!
O guardião deu um leve sorriso e respondeu:
- Amigo, aqui todo mundo pode entrar. Não temos censura, nem juízos morais, nem os dez mandamentos, nem nada semelhante. Todo mundo entra.
Dali já estava vermelho de raiva.
- Mas...e o inferno?
- O inferno é apenas uma história de bicho-papão e também uma piada de mau gosto...não sei bem ao certo. Mas eis a Verdade, todos os que morrem vão parar no mesmo lugar, sem divisões. Não é o máximo?
- Nããããããããão- gritou Dali enquanto observava uma bela prostituta chegar perto do portão. - eu fui à igreja todos os domingos, fiz parte de sete associações de caridade, li aquele livro de cabo a rabo, não fiz sexo fora do casamento (e olha que fui tentado pra cacete.... Bruninha se eu soubesse eu tinha te...), nunca cobicei a mulher do próximo, nunca bebi até cair, nunca usei cocaína nem maconha, nunca assumi que também sentia atração por homens, nunca matei o filho da puta do meu vizinho desgraçado, nunca ofendi meu pai ou mãe, nunca assisti novela, nunca sequer me permiti pensar fora do que permitiam....- nesse ponto Dali já estava chorando desconsolado. O senhor e a prostituta deram palmadinhas de consolo em suas costas. Então o senhor disse amigavelmente:
- É...azar o seu, amigo, azar o seu...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

TOSSE



Parecia chover em todo o Universo, mas sabemos que não há como chover nos espaços infinitos ao nosso redor, vazios que estão das graças de nossa natureza. O fato é que essa chuva melancólica me impele à doentia reflexão e digo doentia porque em mim se manifesta como uma gripe, como um vírus que oras adormece e oras desperta e que, ao despertar me carrega para as mais profundas inquietações que jamais pensei conceber. Conheci outras pessoas que sofrem da mesma moléstia e observei a desolação a que ela pode levar o homem, vi esse vírus aumentar os cérebros de amigos enquanto comia suas almas no silêncio dos pontos de interrogação inúteis. Talvez eu venha a ter o mesmo destino desses senhores e senhoras, em estado terminal da reflexão humana, devorados por uma doença incontrolável de racionalizar cada fenômeno da vida e assim desmistificá-lo. A que pobreza horrorosa reduzimos a vida! Talvez essa pobreza seja o preço que pagamos por cada livro que lemos, por cada ideia extraída do longo vozerio dos sábios mortos, enfim, nada é gratuito e talvez, a cada livro velho que abrimos doamos ao vazio um pouco do maravilhoso da vida...amargo esse gosto que fica na boca.
Veja que chateação essas palavras tristes que saem de nós nesses dias perversos, esse é o poder mágico dessas gotas que caem do céu na inocência dos seres sem alma, na neutralidade da matéria que não emite opinião alguma sobre nada, simplesmente cai em gotas definidas desse céu já todo enquadrado em livros de ciências... Deus, não deixamos nem um centímetro da atmosfera fora de nossos livros! Tudo está lá teorizado e desenhado, gases decompostos e divididos cada um com seu espaço, letra, número, acho que falta pouco para tocarmos Deus ou já o tocamos e ainda não percebemos...vai ver essa monstruosidade racional ao qual denominamos Deus é mais simples do que julgamos e por buscarmos sempre algo tão além nunca perceberemos se estiver perto. Que ousadia a nossa inventar uma ciência para estudar Deus...teologia...nunca vi, em toda a história de nosso conhecimento, uma disciplina tão pretensiosa e tão inútil...tirando de palavras tão simples como as de Cristo argumentos gigantescos, mirabolantes, divisores, úteis (inúteis) apenas para alimentar essa longa fantasia cristã sobre um Deus de livros tão complexos. Falando assim parece que invoco para mim o título de “conhecedor de Deus”, mas não o sou, ninguém é.
Sinceramente, se você prestar bem a atenção a essa linhas perceberá a completa inutilidade de se refletir sobre tais temas. Não sei se é outro efeito da chuva, mas não vejo nenhuma utilidade nessas linhas. Para que servem? Para que gastamos tempo precioso contemplando esse silêncio e dando espaço a essas vozes atormentadas que sussurram nas páginas dos livros?Cada ideia aqui lançada é um espirro  ou uma tosse dessa gripe violenta em minha mente, mas que de nada me purifica, somente nos enche  e enche e enche e enche e enche e possivelmente nos mata e mata e mata e mata e mata até me deixar sem alma ou seja lá o que estiver dentro de nós a tornar a vida um encanto.

Enfim, é só a droga desse dia de chuva...não liguem. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SIM


Ela era casada e, para sua doce infelicidade, ele sabia disso. Há fatos que seria melhor ignorarmos, assim poderíamos executar certos atos sem os gritos da consciência pura e católica que mora em nossos órgãos genitais. Ele a levou para seu apartamento e todos sabemos o que isso significa nas horas altas de sábado (não há mais pureza restante na face da terra que ignore essas coisas). Ela aceitou o vinho e negou a vodca por motivos que só os deuses do álcool devem saber, mas isso já é aceitar silenciosamente a coreografia que desmaia na cama. Rapidamente estavam rindo de coisas que não são engraçadas e quando ele, corajosamente, tocou as mãos dela, sentiu o metal gélido da aliança e o terror tomou conta de sua alma. O horror passou como um lampejo em seus olhos, ela não percebeu já que os hormônios colocam um pano em cima de tudo o que é trevas e só enxergam o que é vermelho. Ele lutou bravamente dentro de três segundos e ignorou o coro de monges e padres que pregavam os valores da fidelidade andando como homens minúsculos por seu corpo, beliscando as partes sensíveis, tatuando com tinta preta as punições dos adúlteros. Caladas as vozes e partindo do argumento de que de sua parte não havia adultério, beijou-a, o que ela aceitou estremecida. O terror da traição não parecia tocá-la, pelo contrário, parecia libertá-la de longos anos de sono. Com o rosto a centímetros da face dela ele perguntou:
- Você conhece a doutrina dos pecados mortais?
Ela o olhou espantada, mas um espanto cheio de desejo:
- Não, eu odeio o cristianismo.
-Eu amo o cristianismo. – Beijou-a novamente e foi mais demorado dessa vez. Ela fechou os olhos e assim permaneceu. Ele a abraçou com força e continuou o interrogatório:
- Segundo a Igreja, um pecado mortal traz dano grave à alma e nos exclui do Reino de Deus. E há duas condições para se consumar um pecado mortal.
- Cale a boca, você vai pregar pra mim agora? – e riu gostosamente, não pela pregação, mas pela mão dele que começou a despi-la.
- Você tem conhecimento de que o adultério é uma ofensa grave aos bons costumes? – perguntou ele enquanto a desnudava. Ainda de olhos fechados ela respondeu:
- Claro que sei, todos sabem.
Agora ela já estava completamente nua enquanto ele explorava toda a sua pele.
- Você está de posse de sua razão? Nada está turvando seu senso de julgamento? – agora ele estava nu e preparado.
- Estou ótima.
-E você dá pleno consentimento a esse ato? Você, de livre e espontânea vontade, quer trair seu marido comigo?
Em uma mistura de palavra com gemido ela disse:
-Sim!
Eles se juntaram na dança milenar do prazer e ele sussurrou nos ouvidos dela:
-Então, meu amor, acabamos de entrar de mãos dadas no inferno.

E lá foram eles, sorrindo, a queimar no fogo do inferno.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A FANTASIA INTELECTUAL


Ele saiu do ensino médio com os livros de Nietzsche debaixo do braço, como se fosse a bíblia da nova geração. Nadou com ânimo nas páginas dos romances russos e passou horas caminhando com personagens em preto e branco de filmes franceses desconhecidos. Assim, sem nem mesmo perceber, entrou na sombria fileira religiosa dos intelectuais. Seu ensino médio doutrinado pelos sábios foi o doloroso catecismo que lhe mostrou a realidade, que dilacerou sua mente e a fez ficar do tamanho do mundo. 
Para receber o batismo intelectual passou por uma cerimônia repleta de simbolismos onde pessoas vestidas de logomarcas de emissoras de TV aberta e com fantasias de escritores de best-sellers o perseguiam por um longo salão, enquanto ele arrastava correntes. Depois de ser perseguido teatralmente, ele se dirigiu a uma escada  que o levava a um topo cheio de seres iluminados vestidos de Platão e alguns vencedores do Nobel de literatura. Então, liberto no topo do mundo, ele apontava o dedo para os pobres ignorantes abaixo da escada e gritava: "Libertem-se, filhos da ignorância, porque eu me libertei!" E todos aplaudiam emocionados. 
Depois do batismo ele andava pelo mundo como se a filosofia o tivesse elevado de grau, como se as palavras de Dostoievski o tornassem um ser humano superior, um deus que passou a olhar todos os telespectadores de novela como se morassem em uma favela da cultura. Derramava lágrimas verdadeiras quando via os pobres pecadores se condenando na frente da TV ou fazendo filas para assistir filmes idiotas ou lendo romances de vampiros ou dançando ao som do funk e da música sertaneja ou...enfim....ó Minerva, Minerva, ó memória fantasmagórica de Nietzsche, ó espíritos russos e todas as almas penadas da filosofia, escutem agora essa oração e  abençoem esses seres tão inferiores a mim, tão menores que se perdem como grãos de areia. Eu estudei, eu li, eu assisti Godard e discursei sobre a dominação das massas, sou melhor, sou melhor, sou melhor, sou melhor, sou superior a todos eles, estão abaixo de mim, eles precisam ler, eles precisam desenvolver o pensamento crítico, eles precisam parar de ver novela pois se tornarão amebas, eles não podem isso, não podem aquilo, tem que fazer isso, tem que fazer aquilo, isso é culto, isso é para massas e eu não sou massa, eles tem que ...vão para o inferno, por favor, vão para o inferno....
Quem disse aos homens que a filosofia torna alguém superior? Quem nos revelou que ser crítico nos tornaria deuses? Quem comprovou que os telespectadores de novela são menores? Quem pode pregar que esse livro é melhor e aquele outro é pior porque não está nas longas e tediosas listas da faculdade de letras? Eles viram a essência do conhecimento? Eles tocaram a verdade sobre o certo e o errado? E eu, que toquei em seres humanos realmente superiores na frente de uma tv onde assistiam a novela? 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Aquilo que amas



                                             

Quando cheguei ele percebeu que algo sério iria acontecer. Depois de um ano ele aprendeu a ler meus olhos, meus dedos se tocando, minha língua molhando os lábios com uma insistência insana. Por isso, assim que cheguei ele já se sentou no banco e se preparou. Sentei-me a seu lado e depois de um silêncio tristíssimo iniciei a revelação da verdade da qual já desconfiava há séculos, mas que só naquele dia tive coragem de dizer.
- Eu não te amo de verdade.
O verbo amar, a própria raiz dessa palavra ....am....está tão desgastada que já não sabemos o que queremos dizer quando a usamos. Escuta-se amores daqui e amores ali, mas...onde, Grande Deus do Universo, encontraremos o que essa palavra realmente quer dizer. Será que algum ser iluminado de pés nesse mundo conseguiu tocar o significado dessa palavra? Vocês já tocaram? vejo letras amarradas umas às outras anunciando bobagens...nada mais. Quem é o felizardo ou o desgraçado que entrou dentro dessas quatro letras e entendeu o que nosso tempo perdeu a capacidade de entender. O que é o amor? O século passado foi o último que o viu com facilidade, nosso tempo não o conhece....e se o conhece o  faz com muito suor.
-Como assim você não me ama, Carlos? - disse ele aflito.- Já faz um ano, cara.
- Eu não te amo de verdade. - era a hora de dizer. - eu amo seu rosto, amo seus cabelos arrepiados, amo seus olhos castanhos, amo seus braços tatuados, amo suas mãos lisas de creme, amo sua voz metálica, amo seu perfume, amo seu peito, amo seu pênis, amo sua boca...mas não amo isso que está dentro de você. Tudo isso que eu amo não é você. 
Ele me olhou por um tempo espantado e logo um sorriso brotou lentamente em seu rosto. Foi a minha vez de se espantar, pois percebi que ele ria de minha agonia como um pai ri de uma bobeira dita por uma criança focada em fantasias. 
- Por que ri? -perguntei.
- Porque você está muito enganado. 
- Não, não estou. Tenho certeza de que o que amo não é você.
Ele riu mais ainda e pegou minha mão demonstrando alívio.
-Você está muito enganado. Eu sou meu rosto, meus cabelos arrepiados, meus olhos castanhos, meus braços tatuados, minhas mãos lisas de creme, minha voz metálica, meu perfume, meu peito, meu pênis e minha boca. Se você ama isso, você me ama. Eu sou isso e nada mais. 
Quem é o iluminado, Ó Luz que sussurra no Universo, que entrou nessas quatro letras e amarrando seus significados descobriu o que é isso? Amor...alguém em nosso tempo o conhece? 

sábado, 4 de janeiro de 2014

COREOGRAFIA DOS IDIOTAS



Ele estava de férias e deveria ter ido para a praia, mas não resistiu a entrar na tenda de Mãe Olinda. Quando viu aquelas letras vermelhas anunciando que ela tinha pós-doutorado em tarot, runas e geomancia e mestrado em cartas magnéticas orientais da nova era, mais conhecido como CMONE, já vasculhou sua carteira atrás de dinheiro para consulta. Ao entrar na tenda se viu direto diante da vidente, uma senhora de sari indiano, turbante envolvendo os cabelos e um terço católico enrolado nos pulsos. Em sua mesa diversos baralhos e sistemas de adivinhação estavam organizados ao lado de máquinas Visa e Mastercard.
A vidente lhe apontou a cadeira a sua frente e ele se sentou com os olhos cheios de lágrima. 
- Mãe - começou ele - eu preciso saber de uma coisa que está me consumindo o coração. 
A vidente nem sequer o olhou, apenas vasculhou seus objetos adivinhatórios e retirou um baralho cor de rosa cheio de fadas em diversas posições. 
- Filhinho, para sua questão eu vou usar esse baralho especial porque sua energia está muito embaralhada. 
Com a palavra embaralhada ele já se arrepiou todo.
-Ai, mãe, como assim embaralhada? 
- Assim que você entrou eu já analisei os níveis energéticos da sua aura e constatei que ele está em 25,6 graus...o normal é 40 graus para cima..você está com um problema sério. 
- Ai, senhor, misericórdia! Eu vou morrer, mãe?
A vidente rezou uma ave-maria seguido de um mantra indiano e respondeu:
-Não, você não morrerá. Pior, você ficará muito pobre, nunca conseguirá um emprego melhor do que o atual, perderá quase tudo e a cada dia ficará mais pobre. Meu filho, você deve ter sido um filho da puta nas vidas passadas...vê se toma juízo nessa. 
Ele arregalou os olhos e já imaginou seu doloroso futuro.
- Mãe, que horror! E tem como mudar isso? Tem como fazer alguma coisa e alterar esse futuro de pobreza e miséria?
As máquinas Visa e Mastercard começaram a girar como que por mágica, acendendo e apagando. Esse giro sobrenatural não era causado pela mãe, como se pode pensar, é um fenômeno que ocorre sempre que alguém como ele passa por uma situação como essa. As máquinas não aguentam de excitação e começam a rodar. E por aí temos inúmeras máquinas rodando em tendas, igrejas e shoppings..rodando e acendendo cada vez mais enlouquecidas. 
- Claro que tem um jeito, filho, sempre tem. Mas...
E as máquinas continuam a rodar. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

PLATEIA FELIZ






Essa noite não é iluminada por estrelas,
mas sim por telas LED e plasmas coreanos.
E da luz que desgasta célula por célula do olho humano,
recebo palavra por palavra de uma verdade maior.

Vi escrito na página da minha vida,
Escutei vozes imperiosas dentro da minha alma.
a luz elétrica me revelou em um sonho mágico, 
que cada ato meu não era mais meu.

Rodeado de anjos e santos, auréolas e pecados,
descobri barbantes em minhas mãos e pés
e me vi dançando em um teatro de marionetes,
onde eu era um boneco famoso.

O mais estranho desse sonho azulado,
 é que eu permitia que essas cordas me manipulassem,
que eu abafava minha vontade e minha força,
 para que a inocente plateia permanecesse sorrindo.

mas, eu te suplico, platéia confortável e feliz,
Permitam-me deixar agora essas cordas dolorosas,
deixem-me abandonar essa palco a vocês tão prazeroso
e vejam minha real felicidade em seus sorrisos cessados.

Vocês todos ficarão tristes,
mas eu exultarei de alegria.
Nessa realidade cruel uma questão se levanta:
Quem é o mais egoísta, será o boneco ou a platéia?